segunda-feira, 23 de maio de 2011

A construção da escrita do nome

Dados da Aula

O que o aluno poderá aprender com esta aula
A construção da escrita do nome constitui-se para o ser humano uma necessidade básica. O nome da pessoa está sempre nas suas primeiras manifestações da escrita. As crianças que estão se alfabetizando podem e devem aprender muitas coisas a partir do trabalho com os nomes próprios da classe. Os três pilares básicos da alfabetização são: oralidade, leitura e escrita e por isso, devem estar interligados desde o primeiro dia de aula. Diante disto, torna-se necessário que se desenvolva em sala de aula atividades que promovam a socialização da turma através do trabalho com os nomes, proporcionando ao educador o acesso a um instrumento de avaliação que irá detectar o conhecimento prévio que o aluno possui, quando este demonstra suas hipóteses de escrita do nome. Então, é primordial que o trabalho com o nome se inicie num primeiro momento do processo de alfabetização da criança e se estenda por um período de dois meses, podendo ser prolongado conforme a necessidade da turma. Neste sentido, objetiva-se: - Possibilitar o acesso ao conhecimento da leitura e da escrita através de atividades com o nome, estimulando a oralidade dos educandos. - Criar condições para que os educandos compreendam a leitura e seus significados, através das atividades com o nome. - Possibilitar a integração da turma, através de atividades coletivas, relacionadas aos nomes dos educandos, promovendo a socialização entre os mesmos.
Duração das atividades
1 Bimestre ou 1 semestre.
Conhecimentos prévios trabalhados pelo professor com o aluno
Estratégias e recursos da aula
• Auto-retrato e escrita do nome:
- Distribuir para a turma papel, lápis de cor, de cera ou canetinha. Cada aluno desenha seu retrato (se possível com a ajuda de um espelho exposto na sala). Escreve seu nome junto ao desenho. Recolhe-se as “fotos” e redistribui-se entre a turma. Cada um tentará adivinhar quem é o dono da foto (pode ser ajudado pelos colegas). O dono da foto se apresenta, diz se gosta ou não do nome, diz onde mora e o que gosta de fazer.
• História do nome:
- Cada aluno pesquisa em casa com os familiares, a história de seu nome. Em sala, relata o porquê tem este nome. O educador apresenta tiras com o nome completo de cada educando (em letras maiúsculas, bem visíveis). Na medida que o educando for falando a história de seu nome, acompanha-se com a turma a leitura do nome completo, identifica-se o sobrenome do pai e da mãe (cada aluno pode levar sua certidão de nascimento) e compara-se nomes e sobrenomes semelhantes dos alunos da sala. Depois cada um registra o seu nome completo.
• Construção de crachá:
- Os alunos irão construir um crachá para uso diário. Cada um recebe um cartão com o seu nome (em letras maiúsculas) e o professor acompanha a leitura das letras presentes no nome, mostrando para turma, identificando principalmente as letras iniciais e finais. O aluno então registra num outro cartão o seu nome e faz um pequeno desenho ao lado. Distribui-se os cartões no chão. Cada um pega qualquer cartão e tenta adivinhar de quem é. Logo em seguida, escreve numa folha de papel cartolina o nome do colega, formando uma lista de nomes, que será lida pelos alunos, posteriormente, com o auxílio do professor.
• Meu nome é uma arte
- Cada aluno, usando a sua imaginação e criatividade, escreve seu nome de uma forma diferente. O aluno pode formar um desenho, como um sol, uma casa, um coração, através de seu nome completo. Desta forma, não se tornará mecânico o ato de repetir várias vezes a escrita do nome, pois o aluno vai estar criando desenhos e o mesmo tempo, escrevendo várias vezes seu nome, dando um sentido para esta repetição. O educador pode sugerir alguns desenhos para os alunos desenvolverem sua criatividade. Os alunos podem também fazer um desenho comum primeiro, e depois escrever em volta do desenho o seu nome completo. Tudo vai depender da forma como se apresenta a turma.
• Construção de alfabeto móvel:
- Com os crachás em mãos, cada educando recebe várias tiras de papel cartão ou papelão. Preenche cada tira com cada letra presente no seu nome. Desta forma, poderá manusear as tiras para formar seu nome, reconhecendo melhor as letras presentes no mesmo. Inicialmente, trabalha-se com letras maiúsculas. No decorrer das aulas, os alunos irão preencher mais tiras, agora com as letras presentes no nome dos colegas, não importando se haver repetição. Desta forma, os alunos irão comparar as letras presentes no seu nome com as letras presentes no nome do colega, além de terem a possibilidade de formar mais nomes ou até mesmos palavras, a partir dos sons percebidos em cada nome. É muito importante que cada um esteja sempre com seu crachá e que este possa ser disposto de várias formas, seja construído pelo aluno, seja pelo educador.
• Alfabeto dos nomes:
- Montar um mural com o nome dos educandos, separados pelas letras do alfabeto presentes no início de cada nome. Cada nome virá acompanhado de uma foto do aluno, para associar o desenho à escrita.
• Comparação de tamanho de nomes
- Cada aluno constrói com o alfabeto móvel o seu nome e deixa exposto no quadro de pregas para todos visualizarem. O aluno pode construir com o auxílio do educador ou do crachá com o seu nome. Então, verifica-se qual o nome maior, pelo número de letras. Verifica-se também o nome menor e estabelece-se comparações entre a quantidade de letras presentes em cada nome. Mostrar para os alunos que nem sempre o tamanho da pessoa corresponde ao tamanho de seu nome, bem como nem sempre o tamanho de animais, objetos e coisas, corresponde ao tamanho da escrita de tais. Apresentar, então, cartões com desenhos e fotos dos alunos e suas representações escritas, fazendo a pergunta “Qual o nome maior? E o menor?”. Contar o número de letras em cada nome para auxiliar.
• Que letra falta?
- Expor no quadro alguns nomes sem as letras iniciais e finais. Posteriormente, pode ser sem outras letras presentes no meio do nome. Os educandos registram e depois, completam com as letras que faltam. Esta atividade pode ser feita em conjunto.
• Roda dos nomes.
- Divide-se a sala em vários grupos, organizados em círculos. Cada educando tentará escrever o nome de cada colega do grupo. Pode-se utilizar o crachá como auxílio.

• Quebra-cabeça dos nomes.
- Cada educando recebe dois tipos de quebra-cabeças, ambos contendo seu nome escrito, um por letras e outro por sons (sílabas). As partes são misturadas e os educando tentam encaixar na seqüência dos nomes. Dependendo do ritmo da turma, pode-se trabalhar inicialmente apenas com peças que contem letras e posteriormente trabalha-se com sons. Alguns alunos podem necessitar de auxílio
• Trabalhando as silabas a partir dos nomes:
- Montar um quadro com sílabas presentes nos nomes dos educandos. Fazer a leitura dessas sílabas e observar as sílabas correspondentes aos números. Seguindo a seqüência dos números, escreve-se os nomes a partir de suas sílabas e a relação numérica. Verifica-se outras possibilidades de construir outros nomes, usando as sílabas presentes no quadro (ou outras palavras).
• Bingo dos nomes:
- Fornecer uma folha de papel com espaços em branco (seis espaços). O aluno escreve o próprio nome em um dos espaços e os nomes de cinco colegas. Sorteia-se os nomes e os alunos que os estiverem vão marcando ponto. Aquele que completar sua cartela vencerá o jogo.
• Palavras cruzadas.
- O professor dá dicas de uma pessoa e os alunos tentam descobrir de quem ele está falando. Quando descobrirem, constroem o nome do colega, utilizando as letras do alfabeto móvel. No centro vai estar escrito uma palavra, que pode ser “Criança, amor, brincar”. Cada letra desta palavra vai formar os nomes dos colegas. Portanto, é importante que se escolha uma palavra que tenha letras condizentes com o nome dos alunos da turma.

• Conjunto de nomes:
- Introduzir à noção de conjuntos, a partir dos nomes. Com os nomes dos educandos em cartões fixados no quadro, levar os mesmos a perceberem quantas letras há em cada nome. Há nomes pequenos e nomes grandes. Nem sempre a quantidade de letras corresponde ao tamanho da pessoa. Então, dividir em conjuntos (representados por figuras geométricas), que representam a união desses elementos semelhantes. Trabalha-se, inicialmente, com os seguintes elementos:
1. Nomes que começam pela mesma letra (Os alunos registram o conjunto que inicia com a letra de seus nomes).
2. Nomes que terminam pela mesma letra. (Analisar oralmente com eles).
3. Nomes iguais. (Analisar oralmente com eles).
4. Nomes que contêm o mesmo número de letras. (Analisar oralmente com eles).
5. Nomes de homens e mulheres. (os próprios alunos dividem os conjuntos e selecionam os elementos).
• Acróstico:
- Formar um acróstico com o nome de cada aluno da turma. Cada um vai dizer as qualidades do colega, que serão escritas conforme a letra presente no nome.
• Trabalho com o texto: “Quadrilha”, de Carlos Drummond de Andrade.
- Trabalhar com o título do texto. Verificar, com os alunos o sentido da palavra Quadrilha. Ler o texto com os alunos. Oralizar os nomes dos personagens do texto com o nome dos educandos (trocar de nomes). Para esta atividade usar cartões com os nomes dos educandos. Reescrever o texto utilizando o nome dos alunos. Cada educando escreve nomes que iniciam com a mesma letra do seu e substitui (oralmente) no texto.
Avaliação
Observar e registrar, diariamente, os avanços dos alunos na construção da escrita do próprio nome, bem como no reconhecimento de outros nomes. Observar o uso que os alunos fazem da escrita dos nomes para escrever outras palavras. Analisar as produções de escrita, individuais e coletivas, que abordam o tema trabalhado e assim, replanejar aulas que possam, desta forma, suprir dificuldades. Observar a participação nas atividades em sala, o relacionamento com o colega, bem como verificar o avanço, que cada aluno possui, na leitura de materiais relativos ao tema trabalhado.

O Papel dos Pais na Formação Leitora dos Filhos

O Papel dos Pais na Formação Leitora dos Filhos
Sumário

1.         Introdução
2.        Desenvolvimento da competência lectoescritora
3.        Insucesso da escola no ensino lectoescritor
4.        Defeitos de aprendizagem presentes na lectoescrita
5.        Ensino da história da língua materna
6.        Desenvolvimento da capacidade de aprender
7.        Bibliografia

1. Introdução

Um  das reclamações mais freqüentes de pais, com filhos em idade escolar, é a de que as instituições de ensino, públicas ou privadas, populares ou burguesas, não têm dado uma resposta adequada e,  em tempo hábil, às crianças que sofrem com as dificuldades de leitura e de escrita no ensino fundamental. As dificuldades lectocritoras atingem ricos e pobres, brancos ou negros, europeus ou latinos, que estão nos bancos escolares.
A escola ainda não responde, eficazmente,  ao desafio de trabalhar com as necessidades educacionais das crianças especiais, especialmente às relacionadas com as dificuldades de linguagem como dislexia, disgrafia e disortografia.
A dislexia ocorre quando uma criança não lê bem ou não encontra sentido diante do texto escrito. A disgrafia e a ortografia se manifestam quando há dificuldade no plano da escrita ou do ato de escrever.
São  os distúrbios de letras déficts que preocupam os pais porque sabem que o sucesso escolar de seus filhos depende, e muito, da aprendizagem eficiente da leitura, escrita e ortografia.

2.    Desenvolvimento da competência lectoescritora

Não são poucos os pais que me relatam, por exemplo, as dificuldades de linguagem de seus filhos.  Educandos, aos 8 ou 9 anos de idade, que apresentam leitura e escrita ou ortografia defeituosas. É a idade não só da aquisição, mas do desenvolvimento da linguagem. 
As causas das deficiências lingüísticas são muitas, mas a tese de que a escola é uma fábrica de maus leitores não deve ser descartada  como a mais importante em se tratando de etiologia das patologias ou distúrbios de letras.
A escola, a rigor, não se deu conta que ensinar bem é favorecer à memória de longo prazo das crianças (MLP) para que, na última etapa da educação básica, quando jovens, tenham desempenho eficiente na hora de ler um livro ou de escrever um texto para concurso ou vestibular.
Em geral, os alunos com dificuldades específicas de lectoescrita, já no final do primeiro ciclo do ensino fundamental, fazem a troca dos fonemas simétricos: t/d, f/v, b/p principalmente. Muitos pais, sem uma resposta eficaz da escola, procuram, fora do ambiente escolar,  profissionais como fonoaudiólogos, pediatras, neurologistas e psicopedagogos. na busca de superação do problema.
Não é por acaso que, hoje, os profissionais de saúde (mais do que os professores) são os grandes leitores e autores de obras relacionadas com as patologias de linguagem.
Quase sempre, com a ajuda desses profissionais que se dedicam à  reeducação lingüística, diagnóstico e intervenção,  o problema da dislexia, disgrafia ou disortografia, é amenizado, compensado, mas não significa a superação definitiva dos distúrbios.


3.  Insucesso da escola no ensino lectoescritor

Os problemas de leitura e escrita deveriam ter resposta eficaz no meio escolar, num trabalho interdisciplinar, contando, é claro, com a ajuda externa de profissionais da psicologia, da fonoaudiologia e da Medicina, mas com soluções endógenas, advindas do próprio ambiente escolar.
O professor, principal agente do processo reeducador, deveria ou deve ser o mais aplicado, o mais qualificado, nas questões referentes à pedagogia da lectoescrita.
Sem um trabalho consistente da escola, as trocas de letras simétricas, por exemplo, tendem a persistir  por toda vida escolar. Em alguns casos, claro,  com menos freqüência. Outros, uma síndrome que acompanhará a criança, o jovem e o adulto por toda sua vida.
É necessário o trabalho de reeducação lingüística, isto é, formar a consciência fonológica dos sons da fala. Ensinar bem as vogais e as consoantes da língua materna.  É esta consciência fonológica ou lingüística que fará com que a criança, ao escrever palavras com letras simétricas (p, b, p, q), pense e repense sobre o processo da escrita alfabética.
Uma das conseqüências da falta de consciência fonológica  é, na escrita formal, os alunos, “saltarem” grafemas, por exemplo: coisa, ela escreve coia/ glóbulo/gobulo.

4.      Defeitos de aprendizagem presentes na lectoescrita

Certo é dizer para pais e educadores ou,  para todos profissionais que operam com diagnóstico e intervenção psicolingüística, que a partir de 8 ou  9 anos de idade e,  já no final do primeiro ciclo do ensino fundamental, é importante que estejam atentos quanto aos defeitos de leitura e de escrita das crianças.
A troca de fonemas, ainda nessa fase, reflete, muitas vezes, uma deficiência de ordem lingüística (  e não um déficit necessariamente neurolíngüístico), na formação lingüística inicial (alfabetização e letramento) da criança.
Sabemos que muitas deficiências estão enraizadas  na própria pedagogia. Muitos de nossos alfabetizadores, em que pesem os anos de experiência, o esforço exemplar, a dedicação ao magistério, têm deficiência de formação. Claro, a má instrução é involuntária. Todavia, traz conseqüências sérias para o processo leitor.
Uma  escola que  ensina, por exemplo, termos, no sistema lingüístico do português, apenas 5 vogais,  estão dando as bases precárias, de ordem cognitiva, para a leitura eficiente, o que acaba por levar o educando à aquisição de uma dislexia pedagógica.
Sabemos que são 12 vogais (7 orais e 5 nasais). Vogais são os sons da fala. Vogais não são letras. Vogais são fonemas, isto é, unidades sonoras distintivas da palavra. Vogais têm a ver com a leitura. As letras, que representam as vogais ou sons da fala, têm uma estreita relação com a  escrita.
Não obstante, a escrita não é espelho da fala. Como se diz, não é necessariamente como se escreve. Não há uma correspondência biunívoca entre fonema ou som da fala com a escrita, com os grafemas.
Nos casos em que crianças apresentam,  insistentemente, a troca de letras, podemos supor, por exemplo, uma dificuldade por motivação fonológica.
Uma informação lingüística ou metafonológica no processo de formação escolar faz diferença na habilidade lectoescritora da criança.
Vejamos, por exemplo,  os fonemas /t/ e /d/ são consoantes linguodentais. Uma surda (/t). A outra sonora (/d/).
Os pais devem estar atentos quanto à articulação desses fonemas:
Estão sendo bem articulados por seus filhos na fala espontânea ou na leitura de textos escolares?
Então, se não estão, que tal um trabalho com as cordas vocais, para que os percebam a diferença quanto à sonoridade ?
É uma hipótese importante. Em geral, quando ocorre esse déficit fonológico, essa hipótese há de ser confirmada na pronúncia ou soletração de consoantes labiodentais, como : /f/ e /v/ e as labiodentais /p/ e/b/.
Os pais, com ou sem formação superior, devem ter o hábito de abrir as gramáticas escolares que, quase sempre, trazem regras pouco claras.
A gramática ensina que “antes de P e B não se  escreve N e sim M”, mas não explica nada. Entretanto, se repararmos bem: /b/, /p/ e /m/ são fonemas bilabiais. O fonema /n/ é linguodental. Por isso, devemos  escrever M e não N. É, pois, uma regra fonológica. Portanto, uma boa explicação do fenômeno fonético promove a consciência fonológica da criança.
 Desse modo, os pais não devem ter qualquer cerimônia para abrir uma gramática ou um dicionário escolar na tarefa coadjuvante de ensinar a língua materna. 
Aos filhos, com dislexia escolar, pode um pai ou mãe (ou mesmo um irmão mais velho) abrir a Gramática, na parte relativa à fonologia, e ver o quadro das consoantes da língua portuguesa.
Observará a família, lendo as gramáticas escolares,  como são classificadas quanto ao modo e ponto de articulação. Deve articular cada consoante. Olhar para seu filho ou filha.  Pedir para que olhe  o movimento de seus lábios quando articulam fonemas em algumas palavras do cotidiano (papai, bola, caderno, faca, tarefa etc).
Pedir também que imitem sua articulação é um modo antigo, mas interessante de aprender. Há um ditado latino que diz: a repetitio studiorum mater est (A repetição é mãe do conhecimento). A repetição acaba por levá-los, assim,  à consciência dos fonemas. 
Um pai ou uma mãe que assim se disponha a ensinar, mesmo não sendo um(a)pedagogo (a) ou lingüisto(a) de formação, poderá, com esse procedimento, ajudar na formação leitora de seus filhos.
As famílias têm, pois, um importante papel na formação escolar de seus filhos.


5.     Ensino da história da língua materna

Por fim, sempre desconfiemos do que pode estar ocorrendo na formação escolar dos filhos.
Às vezes, a escola  deixa de dizer, por negligência ou incompetência,  que as letras do alfabeto surgiram, a 3.000 anos,  antes de Cristo.
O “a” ou o “A”, minúsculo ou maiúsculo, foram inspirados na “cabeça de um boi”; a letra “b” foi inspirada, por sua vez, numa “casa mediterrânea de teto achatado” e que o “´p” foi motivado, em seu traçado, por “uma boca” e assim por diante. A escola precisa desenvolver essa competência lingüística.
 Na verdade, quis dizer até aqui o seguinte : a escola precisa devolver  à criança a competência lingüística e metalingüística, para que cumpra ( a escola) o papel de desenvolver  a capacidade do educando de ler para aprender, de escrever para aprender, de aprender a aprender.
Revelar que a língua é histórica, que seu alfabeto tem origem grega, tem influência hebraica, tem marcas dos signos semíticos e traz também as marcas pictográficas de hieróglifos egípcios, é de extrema importância para o reconhecimento das letras, para decodificação, primeira etapa da leitura proficiente.
A história das letras do alfabeto devem fundamentar as aulas de língua materna na educação infantil e no ensino fundamental. 
Assim procedendo, cedo o professor ou pai desconfiará ou desconfiarão, quando do processo escritor da criança, que um  erro na caligrafia pode ser motivado por questão de lateralidade nos traços das letras.
A desconfiança  docente ou dos pais servirá como boa hipótese significativa para uma pedagogia compensatória no quadro da deficiência lingüística.
 Refiro-me a uma pedagogia de ensinar coisas simples. Ensinar bem é ensinar com simplicidade, com objetividade. Aliás, a ciência da linguagem, a lingüística, se caracteriza pela explicação e descrição claras dos fenômenos da linguagem.
Vejamos, por exemplo, “p “e “b” como são letras parecidas. Quando a perninha desce é um “p” , mas quando sobe é um “b”. Subir e descer. Descer e subir. Espaço. Lateralidade. Fácil para os adultos. Grande complexidade lingüística para as crianças na educação infantil e no ensino fundamental.
Uma letra (ou grafema) parecida com um outro signo gráfico, mas com traçado diferente, pode representar, na leitura,  um som diferente e, conseqüentemente, trará significado diferente na produção lexical, frasal e textual. Fácil ,não? 
Os professores estudaram os fatos da língua. Sabem disso informações da aquisição, desenvolvimento e processamento da linguagem. Mas uma criança aos 9 anos pode não armazenar as informações lingüísticas de forma eficiente.
Quando não se aprende a grafar bem pode ser uma deficiência de percepção espacial, de lateralidade. Pode ser, pois, uma deficiência cognitiva.

6.    Desenvolvimento da capacidade de aprender

É preciso que a escola ensine aos educandos como se dão as coisas relativas ao conhecimento da linguagem, como se processa a informação lingüística. E isso serve não só para o ensino da língua materna como também para as demais disciplinas escolares.
Um cálculo como 34 x 76 tem muito a ensinar além do resultado. Há o processo (as etapas de uma operação matemática) que deve ser visto como algo mais significativo no ensino e, por que não dizer, mais significativo, também, no momento da avaliação formativa.
As crianças precisam aprender e apreender essas informações da linguagem, da leitura, da escrita e do cálculo,  com clareza e de forma prazerosa, lúdica. Quem sabe, ensina.
Quem ensina, deve saber os conteúdos a serem repassados para o aluno. A escola precisa levar as crianças ao reino da contemplação do conhecimento. Vale o inverso: a escola deve levar o reino do saber às crianças.
Nas ruas, as crianças não aprenderão informações lingüísticas. Farão, claro, hipóteses, extraídas, quase sempre da fala espontânea. É nas  escolas, com bons professores, que aprenderão que  essas informações lhes darão habilidade para a leitura e para a vida fora da escola.
Nos lares, a tarefa de reforço do que se aprender na escola se constitui um complemento importante, desde que os pais se sintam parte do processo.
Aliás, a educação escolar, de qualidade, é um dever das instituições de ensino. Doutra, dever, também, compartilhado por familiares  e co-responsabilidade dos que operam com os saberes sistemáticos, que envolve  a sociedade como um todo.

7. Bibliografia:
·   CAMPS, Anna, RIBAS, Teresa. La evoluación del aprendizaje de la composición escrita em situación escolar. Madrid: CIDE/MECD, 2000.
·   DOCKRELL, Julie, MCSHANE, John. Crianças com dificuldades de aprendizagem: uma abordagem cognitiva. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000.
·   ELLIS, Andrew W. Leitura, escrita e dislexia: uma análise cognitiva. Tradução de Dayse Batista. Porto Alegre: Artes Médicas, l995.
·   FONSECA, Vitor da. Introdução às dificuldades de aprendizagem.2ª edição revista e aumentada. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
·   GARCÍA, Jesus Nicasio. Manual de dificuldades de aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, l998.
·   GATÉ, Jean-Pierre. Educar para o sentido da escrita. Tradução de Maria Elena Ortega Ortiz Assumpção. SP: EDUSC/COMPED/INEP, 2001.
·   GERBER, Adele. Problemas de aprendizagem relacionados à linguagem: sua natureza e tratamento. Tradução de Sandra Costa. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
·   MASSINI-CAGLIARI, Gladis, CAGLIARI, Luis Carlos. Diante das letras: a escrita na alfabetização. Campinas, SP: Mercado de Letras/ALB/FAPESP, 1999.
·   PÉREZ, Francisco Carvaja, GARCIA, Joaquín Ramos. Ensinar ou aprender a ler e a escrever? Porto Alegre: Artes Médicas, 2001.
·   SERAFINI, Maria Teresa. Como escrever textos. Produção de Maria Augusta Bastos de Mattos. 4ª EDIÇÃO. SP: Globo, l99l.
·   TEBEROSKY, Ana. Psicopedagogia da linguagem escrita. Tradução de Beatriz Cardoso. 8ª edição. Campinas, SP: UNICAMP/Vozes, 1996 

A Influência da Família na Vida da Criança Surda e da Criança Ouvinte

A Influência da Família na Vida da Criança Surda e da Criança Ouvinte
Deise Zambeli*
Melânia de Melo Casarin**


Ao longo da vida dos surdos e de seus familiares, alguns problemas de ordem social, psicológica e educacional são vivenciados, favorecendo o aparecimento de tensões. Dentre estas podemos citar o diagnóstico da surdez como sendo o marco inicial das mesmas.
 No momento em que a mãe aguarda o nascimento de seu filho, é criada uma imagem de criança “ideal”, ou seja, que não apresente nenhuma anormalidade. Porém, se esse filho tão desejado apresentar algo fora dos padrões considerados “normais”, qual será a reação desta família, se ela for de ouvintes? E, se ela for de surdos?
Diante destes questionamentos, considera-se que o contexto familiar de ambas as situações é distinto. Se os membros familiares (pai e mãe) forem ouvintes, ao receberem o diagnóstico da surdez de seu filho, haverá dificuldade na aceitação desta criança, pois não houve nenhuma preparação emocional para esta situação. Por outro lado, no contexto familiar de surdos, os pais estão dentro de uma comunidade surda e esta situação de ter um filho surdo não vai lhes causar pânico e rejeição pelo fato de conviverem com esta condição.
Pesquisas no âmbito do desenvolvimento das crianças surdas, filhas de pais ouvintes, e crianças surdas, filhas de pais surdos, demonstram que o mesmo é significativamente diferenciado.
Na primeira situação as crianças adquirem uma menor autoconfiança, muitas vezes não estabelecem uma comunicação correta com seus pais devido, na maioria dos casos, pelo desconhecimento da Língua de Sinais, confinando-se a códigos lingüísticos pobres e às vezez inexistentes, o que irá refletir na sua escolarização. Já na segunda situação, é estabelecida uma melhor interação entre a criança e seus familiares, o que lhe proporcionará autoconfiança, bem como motivação e, além disso, terão uma forma de comunicação efetiva em Língua de Sinais.
Segundo alguns teóricos, os pais ouvintes têm anseio de que seus filhos aprendam a falar, como se isso fosse a “solução” para os problemas. Acrescentam ainda que quanto mais tarde a surdez for diagnosticada maior será o prejuízo com relação ao desenvolvimento da linguagem, pois esclarecem que, a partir de 2 ou 3 anos, a criança inicia seu aprendizado da linguagem e, se o diagnóstico tardar, os aspectos lingüísticos e cognitivos poderão ficar comprometidos.
 A partir dessas considerações, observa-se o quanto é importante o ambiente familiar, as interações entre os surdos e seus pares e entre surdos e ouvintes a fim de que essas pessoas possam adquirir uma identidade e para que seu desenvolvimento psíquico, social e educacional ocorra de forma satisfatória.   

Planos de Aula


Construindo um crachá
Planejamento para disciplina de Língua Portuguesa– 1º Ano do Ensino Fundamental I.


Disciplina: Português
Conteúdo: Escrita
Tema: Construindo um crachá
Objetivo:
Estimular a escrita por meio da construção de um crachá com o próprio nome.
Material:
Certidão de nascimento, cartões, lápis coloridos, papel bobina e caneta hidrocor.
Conhecimento Prévio:
Conhecer as letras do alfabeto
Atividade Motivacional:
Cada aluno pesquisa na própria certidão como escreve o seu nome completo. Distribua um cartão para cada um. Acompanhe a escrita de cada letra do nome nesse cartão, verificando o movimento correto de cada letra (bastão / maiúscula).
Encaminhamento Metodológico:
Peça também que cada aluno faça um desenho nesse cartão representando sua imagem.
Forme uma roda de conversa e recolha os crachás. Espalhe os crachás ao centro do círculo. Solicite que um aluno de cada vez escolha um cartão e adivinhe a quem pertence.
Avaliação:
A cada crachá identificado no centro do círculo, peça ao aluno que o escolheu para reescrever o nome completo do colega em uma folha de papel bobina, formando uma listagem.
Deixe a listagem dos nomes exposta no mural da sala.

Atenção:Você poderá também adaptar ao seu plano de Educação Infantil. Muito bom!!!
Pró Lete

Volta às Aulas

Volta às Aulas

Depois de um merecido descanso, nada como começar a planejar o retorno às aulas. O primeiro contato com os pimpolhos é muito importante. Os alunos devem se sentir acolhidos e seguros. Nada como iniciar com uma dinâmica de acolhimento que auxiliará na apresentação dos colegas e professores.

 
Nas séries inicias do Ensino Fundamental é necessário o passeio pela escola, esta pequena excursão ajudará os alunos a conhecerem os setores e os funcionários da instituição.

 
Você poderá fazer um gancho e trabalhar com os signos, extremamente importante na alfabetização, os alunos poderão selecionar símbolos que facilitem a localização da secretaria, pedagogia, direção, almoxarifado, biblioteca. Assim ficará mais fácil para os pequenos entregarem uma chamada, retirarem um material didático entre outros.

 
O que não poderia faltar são os combinados, é essencial que as regras sejam construídas, juntamente com os alunos, nos primeiros dias de aula. Cabe ao professor (a) sensibilizá-los quanto a importância das regras e demonstrar que a vida em sociedade é baseada em direitos e deveres, discutir sobre as consequências de quem transgride as leis etc.

 
Converse com seus alunos, incentive-os, faça com que eles vejam em você um amigo (a) que vai ajudá-los na fascinamente caminhada que é aprender e ler e escrever!

"COMO NASCEU A ALEGRIA"(Rúben Alves)

Você pode não acreditar, mas é verdade: muitos anos atrás a terra era um jardim maravilhoso.
É que os anjos, ajudados pelos elefantes, regavam tudo, com regadores cheios de água que eles tiravam das nuvens. Esta era a sua primeira tarefa, todo dia.
Se esquecessem, todas as plantas morreriam, secas, estorricadas... Para que isso não acontecesse, Deus chamou o galo e lhe disse:
- Galo, logo que o sol aparecer, bem cedinho, trate de cantar bem alto para que os anjos e os elefantes acordem...
E é por isto que, ainda hoje, os galos cantam de manhã...
Flores havia aos milhares. Todas eram lindas. Mas, infelizmente, todas elas eram igualmente vaidosas e cada uma pensava ser a mais bela.E, exibindo as suas pétalas, umas para as outras, elas se perguntavam, sem parar:
- Não sou a mais linda de todas?Até pareciam a madrasta da Branca de Neve.
Por causa da vaidade, nenhuma delas ouvia o que as outras diziam e nem percebiam que todas eram igualmente belas.Por isso, todas ficavam sem resposta.
E eram, assim, belas e infelizes.
No meio de tanta beleza infeliz, entretanto, certo dia uma coisa inesperada aconteceu.
Uma florinha, que estava crescendo dentro de um botão, e que deveria ser igualmente bela e infeliz, cortou uma de suas pétalas num espinho, ao nascer.
A florinha nem ligou e vivia muito feliz com sua pétala partida. Ela não doía. Era uma pétala macia. Era amiga.
Até que ela começou a notar que as outras flores a olhavam com olhos espantados. E percebeu, então, que era diferente.
- Por que é que as outras flores me olham assim, papai, com tanto espanto, olhos tão fixos na minha pétala...?
- Por que será? Que é que você acha?, perguntou o pai.
Na verdade, ele bem sabia de tudo. Mas ele não queria dizer. Queria que a florinha tivesse coragem para olhar para as vaidosas e amar a sua pétala.
- Acho que é porque eu sou meio esquisita..., a florinha respondeu.
E ela foi ficando triste, triste... Não por causa da sua pétala rachada, mas por causa dos olhos das outras flores.
- Já estou cansada de explicar. Eu nasci assim... Mas elas perguntam, perguntam, perguntam...
Até que ela chorou.Coisa que nunca tinha acontecido com as flores belas e infelizes.
A terra levou um susto quando sentiu o pingo de uma lágrima quente, porque as outras flores não choravam. E ela chamou a árvore e lhe contou baixinho:
- A florinha está chorando. E a terra chorou também. A árvore chamou os pássaros e lhes contou o que estava acontecendo. E, enquanto falava, foi murchando, esticando seus galhos num longo lamento, e continua a chorar até hoje, à beira dos rios e dos lagos, aquela árvore triste que tem o nome de chorão. E das pontas dos seus galhos correram as lágrimas que se transformaram num fiozinho de água...Os pássaros voaram até as nuvens.
- Nuvens, a florinha está chorando. E choraram lágrimas que se transformaram em pingos de chuva... As nuvens choraram também, juntando-se aos pássaros numa chuva enorme, choro do céu.As lágrimas das nuvens molharam as camisolas dos anjinhos que brincavam no céu macio.
E quiseram saber o que estava acontecendo. E quando souberam que a florinha estava chorando, choraram também... E Deus, que era uma flor, começou a chorar também.
E a sua dor foi tão grande que, devagarinho, como se fosse espinho, ela foi cortando uma de suas pétalas. E Deus ficou tal e qual a florinha.
E aquele choro todo, da terra, das árvores, dos pássaros, dos anjos, de Deus, virou chuva, como nunca havia caído.
O sol, sempre amigo e brincalhão, não agüentou ver tanta tristeza. Chorou também. E a sua boca triste virou o arco-íris...
E as chuvas viraram rios e os rios viraram mares. Nos rios nasceram peixes pequenos.
Nos mares apareceram os peixes grandes.
A florinha abriu os olhos e se espantou com todo aquele reboliço. Nunca pensou que fosse tão querida. E a sua tristeza foi virando, lá dentro, uma espécie de cócega no coração, e sua boca se entortou para cima, num riso gostoso...
E foi então que aconteceu o milagre.
As flores belas e infelizes não tinham perfume, porque nunca riam.
Quando a florinha sorriu, pela primeira vez, o perfume bom da flor apareceu.
O perfume é o sorriso da flor. E o perfume foi chamando bichos e mais bichos...
Vieram as abelhas... Vieram os beija-flores... Vieram as borboletas... Vieram as crianças.
Um a um, beijaram a única flor perfumada, a flor que sabia sorrir.
E sentiram, pela primeira vez, que a florinha, lá dentro do seu sorriso, era doce, virava mel...
Esta é a estória do nascimento da alegria. De como a tristeza saiu do choro, do choro surgiu o riso e o riso virou perfume.A florinha não se esqueceu de sua pétala partida.
Só que, deste dia em diante, ela não mais sofria ao olhar para ela, mas a agradava, como boa amiga. Quanto aos regadores dos anjos, nunca mais foram usados.
De vez em quando, olhando para as nuvens, a gente vê um deles, guardado lá dentro, já velho e coberto de teias de aranha...
Enquanto a florinha de pétala partida estiver neste mundo, a chuva continuará a cair e o brinquedo de roda em volta do seu sorriso e do seu perfume não terá fim..
Eu sou assim:
Feliz! Acredito que...
Hoje é
semente do amanhã. Não tenho medo, este tempo vai passar. Não me desespero, não paro de sonhar. Nunca me entrego, nasço sempre com as manhãs. Deixo a Luz do Sol brilhar no Céu do meu olhar. Fé no homem, fé na vida, fé no que virá... Nós podemos, nós podemos mais.
Vamos lá fazer o que será...

Muita PAZ e LUZ

"PIPOCAndo Histórias"
É ouvindo histórias que se pode SENTIR emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranquilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve.
Pois é ouvir, sentir e enxergar com os olhos do imaginário!(Betty Coelho)

E por aí vai se abrindo um enorme leque de
EMOÇÕES que carregamos conosco e, que quando liberamos, ficamos LEVES tal e qual um grão de milho que com o calor, pula na panela, deixa de ser Piruá e vira "PIPOCA"

Texto: "Como Nasceu a Alegria"

Aqui estão: O painél já com o sol, o galo incumbido por Deus de todas as manhãs acordar os anjos e os elefantes que são encarregados de regar o grande jardim Terra.As flores "Lindas e Infelizes", a "Florinha da Pétala Partida", a árvore, os passaros...A chuva, o mar, o arco-íris, os peixes grandes e pequenos, os animais de diferentes espécies que bem no comecinho do mundo, viram como a tristeza saiu do choro, do choro surgiu o riso e o riso virou perfume...

Texto: "As MARIAS"

A mala está pronta.
Maria Clara, Maria Morena e Maria Escura estão ansiosas para contar suas histórias que enlaçam e entrelaçam nos caminhos da vida.
Crianças, cada uma com suas peculiaridades, suas características.
Muito diferente uma das outras porém, muito amigas.
Amigas como há muito não se vê... AMIGAS como todas as crianças deveriam ser.


"PIPOCA"

"Para os ANIVERSARIANTES do mes"


A descoberta da joaninha(Bella Leite Cordeiro)


Dona Joaninha vai a uma festa em casa da lagartixa.Vai ser uma delícia!
Todos os bichinhos foram convidados...Afinal chegou o grande dia.
O dia da festa na casa da Lagartixa.Dona Joaninha está feliz.
Quer ir muito bonita!Por que assim, todo mundo vai querer dançar e conversar com ela!
E ela poderá se divertir a valer!Por isso, colocou uma fita na cabeça, uma faixa na cintura,
muitas pulseirasnos braços e ainda levou um leque para se abanar.
No caminho, encontrou Dona Formiga na porta de do formigueiro e disse:
- Bom dia Dona Formiga! Não vai à festa da lagartixa?
- Não posso minha amiga. Ontem fizemos mudança e eu não tive tempo de me preparar...
- Não tem problema! Tudo bem! Eu posso emprestar a fita que tenho na cabeça e vocêvai ficar linda com ela! Quer???
- Mas que legal Dona Joaninha! Você faria isso por mim?
- Claro que sim! Estou muito enfeitada! Posso dividir com você.
Tirou a fita de sua cabeça e a ofereceu para Dona Formiga que, feliz, decidiu ir à festa.
Lá se foram as duas. A formiga radiante com a fita na cabeça.
Mais adiante, encontraram Dona Aranha na sua teia fazendo renda.
- Oi! Aonde vão as duas tão bonitas?
- À festa da lagartixa! Você não vai???
- Sinto muito! Tive muitas despesas este mês e sem dinheiro não pude me prepararpara a festa.
- Não seja por isso! Disse a Joaninha - Estou muito enfeitada! Posso bem emprestar as minhas pulseiras... Vão ficar lindíssimas em você!
Emprestou suas pulseiras, que ficaram lindas em Dona Aranha.
- Que maravilha! Disse a aranha entusiasmada – Sempre tive vontade de usar pulseiras em meus braços! Dona Joaninha, você é legal demais! Sabia?
As três, radiantes de felicidade, seguiram rumo à festa.
Um pouco adiante, encontraram a Taturana. Como sempre, estava morrendo de calor!
- Oi, Dona Taturana! Como vai?
- Mal! Muito mal com esse calor! Sabe que nem tenho disposição para ir à festa da Lagartixa.
- Ora! Mas para isso dá-se um jeito! Disse a Joaninha muito amável – Posso lhe emprestar o meu leque.
E lá se foi também a Taturana, muito alegre, se abanando com o leque, e encantada com a gentileza da amiga.
Logo depois, deram de cara com a Minhoca. Que tinha colocado a cabeça pra fora da terra para tomar um pouco de ar.
- Dona Minhoca, não vai à festa? Disse a turminha ao passar por ela.
- Não dá, sabe? Eu trabalho demais! Quase não dá tempo pra comprar as coisas de que preciso.. E, agora, estou sem ter uma boa roupa boa pra vestir! Sinto bastante! Porque sei que a festa vai ser muito legal! Mas, que se há de fazer?...
- Ora, Dona Minhoca – Disse a Joaninha com pena dela – Dá-se um jeito... Posso emprestar a minha faixa e com ela você ficará muito elegante!
E emprestou a sua faixa à Minhoca que ficou muito elegante.
E seguiu com as amigas para a festa.
Dona Joaninha estava tão feliz com a alegria das outras, que nem reparou ter dado tudo o que ela havia posto para ficar mais bonita. Mas, a alegria de seu coração aparecia nos olhos, no sorriso, e em tudo o que ela dizia! E isso a fez tão linda, mas tão linda que ninguém, na festa dançou e se divertiu mais do que ela!
Foi então que a Joaninha descobriu que para a gente ficar bonita e se divertir não precisa se enfeitar toda. Basta ter o coração bem alegre que a alegria de dentro deixa a gente bonita por fora. E ela conseguiu essa alegria fazendo todo aquele pessoal ficar feliz!!!
Um Natal que não Termina
(Ana Maria Machado – adaptação: Eliana)


Há muitos e muitos anos, na Judéia, vivia um rei muito malvado que se chamava Herodes.
Era tão malvado que fazia maldades à toa. Morria de medo que viesse alguém tomar a sua coroa, o seu poder.
Um dia, lá estava ele no seu palácio, rodeado das delícias que a riqueza lhe oferecia, quando ouviu o soldado anunciar:
- Temos visitas!!! Três sábios estão lá fora e querem entrar majestade. São mais que sábios, são Reis magos, têm poderes encantados! Magos, sábios poderosos, reis de reinos distantes...
O rei Herodes foi logo atender, afinal, são visitas importantes!Na verdade, os visitantes só queriam uma informação:
- Onde está o novo rei que acaba de nascer? Eu trouxe ouro para oferecer!
- Eu trouxe incenso. A estrela do novo rei nos guiou até aqui.
- E eu trouxe perfume. Andamos tanto, viemos de tão longe, para no fim, nos perder!
Essa pergunta causou muita preocupação ao malvado rei.
Herodes não conhecia nenhum rei recém-nascido. Mas bem que poderia ter, afinal,
ele não conhecia todos os bebês do reino! Perguntou aos conselheiros e soube que há muito, muito tempo está escrito que nasceria um rei em Belém de Judá.
Herodes, o rei malvado que também era muito esperto, disse aos magoas do oriente que bem que poderia ter nascido um novo rei em Belém, um lugar ali perto e, ainda pediu um favorzinho: Que na volta lhe dessem o endereço desse novo rei, para que ele também levasse um presentinho.
Mas isso era só conversa, era só pra enganar. Ele queria saber, para depois mandar os seus soldados para matar o menino!
Com muitos agradecimentos, os três reis magos se despediram.
E assim que escureceu, viram novamente a estrela que os guiava pelo caminho.
Seguiram a luz da estrela até que, ela parou bem encima de um curral.
Num monte de palha seca Jesus estava deitado, era um bebê bem pequenininho, tinha uns bichos em volta para esquentar o bebezinho.
A mãe dele era Maria e o pai era José, olhavam por ele com muito carinho.
Os camponeses e os pastores faziam coro com os anjos cantando canções de paz.
Festejando o amor.Mas lá dentro do palácio, estava o malvado rei Herodes, gritando e arrancando os cabelos. Os anjos avisaram aos magos, e eles voltaram ao seu país por outro caminho. Enquanto José, o pai de Jesus, dormia, um anjo veio lhe falar:
- Pega já a tua família e foge para o Egito porque Herodes já deu ordens para matar o menino!José seguiu o conselho e num instante já ia longe, atravessando o deserto. Os soldados procuraram, mas não encontraram. Herodes ficou com muita raiva...
“E se esse menino crescesse para reinar em Belém”?
Então, o rei desalmado deu uma ordem horrível:
- Matem já! Todo o menino menor de dois anos tem que morrer, seja ele quem for!
Foi só depois de algum tempo, depois que Herodes morreu que o anjo apareceu no
sonho de José, dizendo que voltasse para Belém.
E no fim de tantos outros anos, o mundo inteiro foi mudando com a lição que Jesus deu.
Lição de amor e bondade, de paz e boa vontade.
Vale lembrar que nem sempre o bem vence o mal.
Os Herodes da Terra ainda não acabaram.
E, preocupados com dinheiro, poderes...
Volta e meia fazem guerra sem se importar com as crianças.
Mas é seguindo essa lição de amor que Jesus ensinou que poderemos um dia, ainda,
acabar com a fome, com a miséria...
Com os “Herodes” que ainda existem espalhados pelo mundo.
Por isso, até os dias de hoje, é comemorado o Natal de Jesus.

MENINA BONITA DO LAÇO DE FITA

(Ana Maria Machado)


Era uma vez uma menina linda, linda.
Os olhos pareciam duas azeitonas pretas brilhantes, os cabelos enroladinhos e bem negros.
A pele era escura e lustrosa, que nem o pelo da pantera negra na chuva.
Ainda por cima, a mãe gostava de fazer trancinhas no cabelo dela e enfeitar com laços de fita coloridas.
Ela ficava parecendo uma princesa das terras da áfrica, ou uma fada do Reino do Luar.
E, havia um coelho bem branquinho, com olhos vermelhos e focinho nervoso sempre tremelicando. O coelho achava a menina a pessoa mais linda que ele tinha visto na vida.
E pensava:
- Ah, quando eu casar quero ter uma filha pretinha e linda que nem ela...
Por isso, um dia ele foi até a casa da menina e perguntou:
- Menina bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:­
- Ah deve ser porque eu caí na tinta preta quando era pequenina...
O coelho saiu dali, procurou uma lata de tinta preta e tomou banho nela.
Ficou bem negro, todo contente. Mas aí veio uma chuva e lavou todo aquele pretume, ele ficou branco outra vez.
Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual é o seu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:
- Ah, deve ser porque eu tomei muito café quando era pequenina.
O coelho saiu dali e tomou tanto café que perdeu o sono e passou a noite toda fazendo xixi.
Mas não ficou nada preto.
- Menina bonita do laço de fita, qual o teu segredo para ser tão pretinha?
A menina não sabia, mas inventou:­
- Ah, deve ser porque eu comi muita jabuticaba quando era pequenina.
O coelho saiu dali e se empanturrou de jabuticaba até ficar pesadão, sem conseguir sair do lugar. O máximo que conseguiu foi fazer muito cocozinho preto e redondo feito jabuticaba. Mas não ficou nada preto.
Então ele voltou lá na casa da menina e perguntou outra vez:
- Menina bonita do laço de fita, qual é teu segredo pra ser tão pretinha?
A menina não sabia e... Já ia inventando outra coisa, uma história de feijoada, quando a mãe dela que era uma mulata linda e risonha, resolveu se meter e disse:
- Artes de uma avó preta que ela tinha...
Aí o coelho, que era bobinho, mas nem tanto, viu que a mãe da menina devia estar mesmo dizendo a verdade, porque a gente se parece sempre é com os pais, os tios, os avós e até
com os parentes tortos.E se ele queria ter uma filha pretinha e linda que nem a menina,
tinha era que procurar uma coelha preta para casar.
Não precisou procurar muito. Logo encontrou uma coelhinha escura como a noite, que achava aquele coelho branco uma graça.
Foram namorando, casando e tiveram uma ninhada de filhotes, que coelho quando desanda
a ter filhote não para mais! Tinha coelhos de todas as cores: branco, branco malhado de preto, preto malhado de branco e até uma coelha bem pretinha.
Já se sabe, afilhada da tal menina bonita que morava na casa ao lado.
E quando a coelhinha saía de laço colorido no pescoço sempre encontrava alguém que perguntava:
- Coelha bonita do laço de fita, qual é o teu segredo para ser tão pretinha?
E ela respondia:
- Conselhos da mãe da minha madrinha...

PIPOCAndo Histórias"

Contar histórias sempre, sempre...
É poder sorrir, rir, gargalhar com as situações vividas pelas personagens. É também suscitar o imaginário, é ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, é encontrar outras idéias para solucionar questões. É uma possibilidade de descobrir o mundo imenso dos conflitos, dos impasses, das soluções que todos vivemos e atravessamos - dum jeito ou de outro. É a cada vez ir se identificando com as personagens e, assim, esclarecer melhor as próprias dificuldades ou encontrar um caminho para a resolução delas... É ouvindo histórias que se pode
SENTIR emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, o bem-estar, o medo, a alegria, o pavor, a insegurança, a tranquilidade, e tantas outras mais, e viver profundamente tudo o que as narrativas provocam em quem as ouve. Pois é ouvir, sentir e enxergar com os olhos do imaginário!

(Betty Coelho)

E por aí vai se abrindo um enorme leque de
EMOÇÕES que carregamos conosco e, que quando liberamos, ficamos LEVES tal e qual um grão de milho que com o calor, pula na panela, deixa de ser Piruá e vira "PIPOCA"

Texto: "A Borboleta Dourada"

A BORBOLETA DOURADA
(Bellah Leite Cordeiro)

De tempos em tempos as borboletas se reuniam no bosque para conversarem, trocarem idéias
e se conhecerem melhor.As borboletas novas se apresentavam à comunidade e as mais velhas
as admiravam por sua beleza e as animavam para o trabalho junto às flores.
Todas tinham a missão de espalhar o pólen e assim levar a beleza a toda parte: às matas,
às florestas, aos bosques e aos jardins.Sentado à porta de sua casa, um velho gafanhoto observava a passagem das borboletas.Todas o cumprimentavam respeitosamente,
pois o velho gafanhoto era tido e realmente era um grande sábio.
Até que, se aproximou dele uma borboletinha bem jovem, inexperiente, e, diga-se de passagem, bastante sem graça...
- Bom dia, senhor Gafanhoto! – disse ela timidamente.
- Bom dia! – respondeu o gafanhoto – Vai à reunião das borboletas pela primeira vez?
- É isso aí! – falou a borboleta insegura – E estou um pouco preocupada... Será que vão gostar de mim? Diga com franqueza: você não me acha meio feiosa, minha cor não ajuda e as minhas asas são grandes demais?
- Não! – respondeu o velho gafanhoto - Cada um é como é! E a aparência das coisas não é muito importante. Cada um se faz bonito ou feio. – acrescentou o gafanhoto com bondade.
Na reunião todas conversavam entre si alegremente. Riam e brincavam, mas nem olhavam para a borboleta dourada. Era como se ela não existisse. Foi a última a deixar a reunião, na esperança de que alguém ainda a visse e falasse com ela. Mas nada!
Ninguém a enxergou ninguém reparou nela.
Quando na volta para casa, passou novamente pela casa do velho e sábio gafanhoto ele perguntou:
- Olá borboletinha, não vem da reunião das borboletas? Então... Que tristeza é essa? Não te trataram bem?
- Pra ser sincera, nem me viram... Ninguém me notou na reunião.
- Ora borboleta, espera aí! Você não é feia como pensa! Falta-lhe um pouquinho de charme... Talvez... Mais isso não é difícil conseguir. Se quiser ouvir os meus conselhos...
-Ah, senhor gafanhoto! Seria um favor! Eu sei, os seus conselhos são maravilhosos!
O senhor já ajudou muita gente a ser feliz!
- Em primeiro lugar, quero saber por que você não usa uma das armas mais poderosas que todos nós possuímos para ser felizes: O SORRISO!
- O sorriso? – perguntou a borboleta espantada.
- Sim, o sorriso ilumina o nosso rosto! Faz a alegria sair de dentro do coração da gente e se espalhar, deixando todos em volta de nós, muito alegres!
- Mas como vou sorrir se eu não estou alegre?
- Ora Borboletinha! Neste mundo não existe ninguém que não tenha um motivo para ficar alegre! É só procurar! Você não acha maravilhoso o fato de poder voar?
- Ah! Isso eu acho mesmo! É legal demais voar por cima de tudo! Fazer piruetas, pousar em qualquer lugar, ir para qualquer parte... É claro! Voar é muito bom mesmo.
- O seu trabalho não é espalhar o pólen das flores para multiplicá-las por toda parte?
- É exatamente esse o meu trabalho!
- Espalhar a beleza por onde passa será esse um trabalho qualquer? Não é maravilhoso fazer isso?
- Pra falar com franqueza, não reparo. Faço o meu trabalho por obrigação!
- Repare então criatura! – tornou a insistir o gafanhoto – Verá que beleza existe em volta de você! Experimente sorrir, seu sorriso será um grande aliado. Pois todo mundo gosta de um belo sorriso! Procure também, fazer as coisas por amor, e não por obrigação!
A borboleta animada agradeceu os conselhos e voou confiante e esperançosa.
Feliz, ela vinha observando a beleza do pôr-do-sol e o vento a brincar com a folhagem das árvores.
- Coisa linda! – pensou – Esse lugar onde moro é realmente uma beleza!
De repente notou que estava sorrindo e sentiu esse sorriso vir do fundo do seu coração.
Estava assim, distraída quando ouviu uma vozinha muito fraca a chamá-la:
- Olá... Borboletinha! Você parece ser tão boa. Poderia ajudar-me? Estou coberta de areia e não consigo livrar-me dela. Você não dará um jeitinho?
Era uma formiguinha já quase sem fôlego a se debater na areia.
- Pois não! – Falou a borboletinha aflita descendo imediatamente para bem perto dela
– Estou aqui para ajudá-la!
- Vi o seu sorriso tão bonito por isso me animei a pedir ajuda. Quem sorri como você, só pode ter um coração cheinho de coisas boas!
Essas palavras da formiga foram as mais lindas ouvidas pela borboleta até aquele dia, e jamais se sentira tão feliz!
Em sua grande alegria a borboleta teve um desejo enorme de cantar e dançar numa revoada de felicidade.
Um besourinho ao passar ao seu lado voando também, falou:
- Como você dança bem! E é linda sabia?
- Obrigada! – respondeu a borboleta meio sem jeito, pois nunca havia sido elogiada antes – Suas asas também são muito bonitas sabe? Cada um é bonito ao seu jeito!
E lá se foi o besourinho alegremente a dançar também, feliz com as palavras da borboleta.
Daí por diante, começou a observar tudo: a relva, as árvores, o céu, as nuvens, a brisa, a chuva, as montanhas ao longe...
Nada mais escapava de sua vista e tudo era importante pra ela.
Encantada, olhava as flores, reparava na beleza de cada uma, conversava com elas e, sem querer, passou a fazer o seu trabalho de todos os dias com um amor enorme brotando em seu coração.
- É incrível mesmo, a diferença de quando se faz tudo com amor!
O tempo foi passando e a borboleta era cada vez mais feliz, pois por onde passava sentia como era querida. Todos a festejavam e a olhavam com grande simpatia.Todo mundo queria conversar, dançar e brincar com essa borboletinha tão gentil, sempre a sorrir para todos.
A sua tarefa diária a borboleta passou a fazê-la muito melhor! É claro! Agora fazia com amor!Afinal, chegou o dia da nova reunião das borboletas.
Muito alegre ela recebeu a notícia.Na data marcada, saiu de casa mais cedo. Queria passar pela casa do gafanhoto antes da reunião, pois desejava agradecer-lhe pessoalmente os conselhos preciosos e quase mágicos. Como algumas poucas palavras boas podem ajudar tanto!
A chegada da borboleta à reunião foi sensacional! Todas pararam para admirá-la.
-Mas que borboleta linda!- diziam.- É dourada! Venham ver!- Parece luminosa! Você é superlegal!Todas a rodearam alegremente, e perguntaram:- Você é uma das novas, não é? É a primeira vez que vem aqui?
- Não! –respondeu ela - Já estive aqui na reunião passada, mas ninguém me notou!
- Não é possível! Você é linda demais! É uma borboleta dourada! Sabe lá o que é ser uma borboleta dourada? Ninguém deixaria de vê-la!
–Essa é uma história muito comprida... Qualquer dia eu conto a vocês. Agora quero me apresentar a todas as borboletas, quero conhecer todas as minhas irmãs, conversar com elas
e se muito amiga da comunidade das borboletas.À tardinha, depois de sair da reunião,
passou novamente pela casa do velho gafanhoto.Desta vez queria fazer-lhe uma pergunta:
- Senhor gafanhoto, diga-me uma coisa: eu mudei de cor?
- Não borboletinha, a sua cor é a mesma...
– Por que então me chamam de borboleta dourada?
- Mas você é uma borboleta dourada! Sempre foi... Apenas a sua beleza estava escondida.
Agora você reflete o seu interior! E é dele que vem a verdadeira beleza: A que sai do coração e se reflete em todo o ser! Por isso você está luminosa e linda! Você agora, é a borboleta dourada mais linda que eu já vi em toda a minha vida!
O patinho que queria falar
(Rubem Alves)

Era uma vez um lindo patinho amarelo.
Um dia ele saiu de casa bem cedinho e foi passear na estrada.
A manhã estava clara, o céu azul e havia muitos animaizinhos passeando.
Não tinha ainda dado muitos passos e viu um gato engraçadinho.
O gato que era muito bem educado cumprimentou-o assim:
- Miau, miau!
O patinho ficou encantado e disse:
- Oh! Que modo bonito de falar você tem Senhor Gatinho. Quem me dera falar assim!
- É muito fácil, patinho, respondeu o gato. Vamos experimentar?
O patinho experimentou dizer "miau". Não conseguiu. Experimentou de novo, experimentou muitas vezes! Foi impossível! Então falou:
- É muito difícil, Senhor Gatinho! Isso não é conversa para patinhos!
Despediu-se do gato e continuou a passear.
Foi andando, andando e encontrou-se com Dona Galinha Carijó.
- Có, có, có, disse Dona galinha.
O patinho ficou encantado:
- Oh! Que modo bonito de falar a senhora tem, Dona Galinha! Quem me dera falar assim!
- Experimente falar assim, patinho.
O patinho tentou imitar Dona Galinha. Fez tudo que pôde e nada conseguiu. Depois de algum tempo, já bem desanimado, falou:
- Muito obrigado pela ajuda, Dona galinha, mas isto é muito difícil para patinhos.
Despediu-se de Dona Galinha e continuou o seu caminho.
Andou, andou e entrou na mata. De repente, ouviu a voz mais linda do mundo:
- Piu, piu, piu!...
O patinho ficou encantado! Olhou para cima e lá estava, no galho da árvore,
um lindo passarinho de penas coloridas.
- Que modo de falar bonito você tem, passarinho! Quem me dera falar assim!
- Experimente patinho! Experimente falar assim!O patinho abriu o bico. Fez tudo que pôde para dizer "piu, piu, piu!". Foi impossível. Já estava desanimado. Despediu-se e voltou triste para casa.
No meio do caminho encontrou Dona Pata.
- Quá, quá, quá, disse a pata.
-Oh! Mamãe, disse o patinho será que posso falar como a senhora?
- Experimente filhinho, experimente...
O patinho abriu o bico.
-Que vontade de falar como a mamãe!
E se não conseguisse?... Não falou como gato, nem como galinha, nem como passarinho. Será que poderia falar como pato? Fez um esforço, e...
- Quá, quá, quá... - Muito bem, filhinho! Disse-lhe a mamã pata, toda feliz. O Patinho ficou alegre, muito alegre. Depois, juntinho com a mamãe, voltou para casa e a todo instante, abria o bico para dizer mais uma vez:
- Quá, quá, quá...É bom sentir a Alegria de ser como somos...
A MARGARIDA FRIORENTA
(Fernanda Lopes de Almeida)

Era uma vez uma margarida em um jardim.
Quando ficou de noite a margarida começou a tremer.
Ai passou a Borboleta Azul.A borboleta parou de voar.
- Por que você esta tremendo?
- Frio!
- Oh! E horrível ficar com frio! E logo em uma noite tão escura!
A Margarida deu uma espiada na noite.E se encolheu nas suas folhas.
A Borboleta teve uma idéia:
- Espere um pouco! E voou para o quarto de Ana Maria.
-Psiu, acorde!
- Ah? E você, Borboleta? Como vai?
- Eu vou bem. Mas a Margarida vai mal.
- O que e que ela tem?
- Frio coitada!
- Então já sei o remédio. É trazer a Margarida para o meu quarto.
- Vou trazer já. A Borboleta pediu ao cachorro Moleque:
- Você leva esse vaso para o quarto da Ana Maria?
Moleque era muito inteligente e levou o vaso muito bem.Ana Maria abriu a porta para eles.
E deu um biscoito para Moleque.
A Margarida ficou na mesa de cabeceira. Ana Maria se deitou. Mas ouviu um barulhinho.
Era o vaso balançando. A Margarida estava tremendo!
- Que e isso?
- Frio!
- Ainda? Então já sei! Vou arranjar um casaquinho para você.
Ana Maria tirou o casaquinho da boneca. Porque a boneca não estava com frio nenhum. E vestiu o casaquinho na Margarida.
- Agora, você esta bem. Durma e sonhe com os anjos.
Mas quem sonhou com os anjos foi Ana Maria.
A Margarida continuou a tremer. Ana Maria acordou com o barulhinho.
- Outra vez? Então já sei. Vou arranjar uma casa para você!
E Ana Maria arranjou uma casa para Margarida.
Mas quando ia adormecendo ouviu outro barulhinho. Era a Margarida tremendo.
Então Ana Maria descobriu tudo.
Foi lá e deu um beijo na Margarida!!!
A Margarida parou de tremer.
E dormiram muito bem a noite toda.
No dia seguinte Ana Maria disse para a Borboleta Azul:
-Sabe Borboleta? O frio da Margarida não era frio de casaco não!
E a Borboleta respondeu:
- Ah! Entendi!
Ao final da HISTÓRIA, cantamos a música:
"ONDE ESTÁ A MARGARIDA"

"Que Recursos e Materiais usar"



Para Ramos (2003), "a leitura é o meio mais importante para se chegar ao conhecimento.
Não importa a quantidade que lemos, o que importa é com que profundidade chega-se a esse entendimento."É recomendável ser bastante criativo no uso de recursos materiais. Não se prender a certos padrões, mas variar de acordo com o conteúdo da história a ser contada ou apresentada:
1) o velho flanelógrafo (quadro revestido de flanela ou feltro de cor lisa, sobre o qual se fazem aderir objetos ou figuras, fixadas ou removidas segundo as necessidades do ensino) pode ser uma boa opção para ilustrar uma história com vários assuntos e vários simbolismos;
2) transparências, preferencialmente confeccionadas pelas crianças, podem ser outro recurso que desperta interesse e ajuda a fixar a história;
3) slides com figuras da história que está sendo contada, projetados na parede, prendem a atenção das crianças e despertam as fantasias;
4) para pequenas encenações e dramatizações, fantoches e bichos de pelúcia são bons recursos;
5) a massa de modelar pode ser usada pelas crianças para confeccionar figuras da história que acabaram de ouvir, com isso recapitulam e fixam a história;
6) materiais colhidos na natureza e trazidos pelas crianças para ilustrar certos contos de fadas, por exemplo, prendem a atenção e valorizam a sua participação;
7) mudar de ambiente para contar a história da cidade: levar as crianças ao museu, a um cemitério com antigas sepulturas e convidar uma pessoa idosa para falar do passado. Nesse sentido se oferecem muitas possibilidades que devem ser exploradas.

"Como contar HISTÓRIAS"

O processo de estímulo e incentivo para se contar uma história são inúmeros,
mas sua eficácia depende de como o contador os utilizará. Não há "fórmulas mágicas" que substituam o entusiasmo do contador.
Quem aspira ser um bom contador de histórias, deve desenvolver alguns passos importantes em seus preparativos:


1) a história a ser contada e apresentada deve estar bem memorizada. Por isso, é imprescindível ler a história várias vezes e estar bem familiarizado com cada parágrafo do livro, para não perder "o fio da meada" e ficar procurando algum tópico durante a apresentação;

2) destacar e sublinhar os tópicos mais importantes, interessantes e significativos, para que na apresentação recebam a devida valorização;

3) procurar vivenciar a história. Envolver-se com ela, fazer parte dela e sentir a emoção dos personagens e ao apresenta-la atrair os ouvintes para a magia da história;

4) ao apresentar a história, falar com naturalidade e dar destaque aos tópicos mais importantes com gestos e variações de voz, de acordo com cada personagem e cada nova situação. No entanto, é preciso cuidar para não exagerar nos gestos ou nas entonações de voz;

5) oferecer espaço aos ouvintes que querem interferir na história e participar dela. Quem se sente tocado em seu imaginário sente necessidade de participar ativamente no desenrolar da história. O importante é que nessa hora não haja pressa, contando ou lendo tudo de uma só vez. É preciso respeitar as pausas, perguntas e comentários naturais que a história possa despertar, tanto em quem lê quanto em quem ouve. É o tempo dos porquês;

6) toda história e toda dramatização devem ser apresentadas com entusiasmo e paixão. Sempre devem transparecer a alegria e o prazer que elas provocam. Sem esses componentes, os ouvintes não são atingidos e logo perdem o interesse pelo que está sendo apresentado.
Segundo Abramovich (1993), "o ouvir histórias pode estimular o desenhar, o musicar, o sair, o ficar, o pensar, o teatrar, o imaginar, o brincar, o ver o livro, o escrever, o querer ouvir de novo. Afinal, tudo pode nascer dum texto!" A criança, ao ouvir histórias, vive todas essas emoções. Afinal, escutar histórias é o início, o ponto-chave para tornar-se um leitor, um inventor, um criador.